OUTRA VEZ ?

       Não resistindo às enormes pressões contra ele, lideradas pelo jornalista Carlos Lacerda, Getúlio Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Apenas sete anos mais tarde, no dia 25 de agosto de 1961, era Jânio Quadros quem renunciava à Presidência da República. Nunca se soube ao certo o real motivo daquela renúncia. Uma das versões aponta para o desejo de Jânio fechar o Congresso, provavelmente com a intenção de se tornar ditador. Em 1992, o Brasil tomava conhecimento de mais uma renúncia presidencial: Fernando Collor de Mello. A renúncia aconteceu durante uma sessão plenária do Congresso Nacional. No momento da decretação do impeachment (impedimento) do então presidente da República, a sua carta-renúncia foi entregue à mesa diretora daquela sessão. Para a nação, Fernando Collor de Mello acabou por renunciar à Presidência em virtude do excesso de corrupção que havia invadido o seu governo. Para mim, e acredito que para o próprio Collor, o real motivo, e primeiro, foi o seu descontrole emocional, causado pela sua vertiginosa ascensão política, muito acima dos limites suportáveis pela sua mente. E agora, no primeiro ano do segundo mandato da presidente Dilma, o clima de afastamento da Presidência ronda o Palácio do Planalto. Só se houve falar, há bastante tempo, de corrupção, de perda de comando, da inflação, que volta a subir, de gastos ultra excessivos. Só agora “desconfiaram” que mantinham ministérios demais, que só serviam para dar emprego, sobretudo àqueles do PT e da base aliada. E a explicação para a extinção de 10 ministérios é extremamente ridícula: falta de espaço na Esplanada dos Ministérios. Será que aquela Esplanada encolheu? Mas, mesmo assim, ainda não se conseguiu afastar Dilma. Por quê? Diante das dezenas de explicações, fico com a minha. Como punir só a Dilma, se existem dezenas de culpados por esse clima de total confusão política e administrativa? É bem verdade que tem faltado pulso à Dilma e disposição (vontade política) para se livrar de todos aqueles que a cercam. Também é bastante fácil enxergar o mais importante motivo para tudo isso: esse motivo se chama PT. De há muito, aquela pureza de propósitos que parecia ser o motivo da existência desse partido deixou de existir. E foi deixando de existir à medida que, enchendo-se de poder, perdeu o controle de si mesmo e perdeu os rumos, confirmando aquela máxima bem antiga: o poder corrompe. O PT, a Dilma e toda aquela turma que gravita em torno do governo só respiram interesses e corrupção.

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