UM DOS “CAUSOS” DE ROLANDO BOLDRIN APLICADO À VIDA POLÍTICA BRASILEIRA.

       Não pedi permissão a esse notável homem de televisão, mas creio que ele não irá se importar por eu estar aproveitando aqui um dos seus “causos”, transformando-o numa das minhas alfinetadas. Conta-nos Boldrin que numa das nossas cidadezinhas do interior havia um ladrão incorrigível e bem conhecido por todos. Sabiam que ele era ladrão, até dando a ele o apelido de “Zé trambiqueiro”. Todos acusavam-no por qualquer roubo que acontecia na cidade. Certo dia, roubaram o violão do violeiro mais importante daquela cidadezinha e o “Zé Trambiqueiro” foi logo acusado. A vítima prestou queixa na delegacia e pediu ao delegado para que prendesse o Zé trambiqueiro”. O delegado exigiu que o reclamante levasse o acusado à delegacia, acompanhado por três testemunhas. Nenhuma delas, no entanto, conseguiu apresentar provas, por considerá-las desnecessárias, pois era público e notório que o violão só poderia ter sido roubado pelo único ladrão da cidade, o “Zé trambiqueiro”. Com isso, o delegado absolveu o acusado, por falta de provas. Fui absolvido? perguntou o ladrão. Sim, você está absolvido. E completou o “Zé trambiqueiro”: Quer dizer que eu não preciso devolver o violão? Todos nós sabemos que na vida política brasileira, pelo menos nestes últimos 35/40 anos, quase só temos desses zés trambiqueiros. Todos nós os conhecemos, todos nós os acusamos, mas continuam todos por aí, sem ninguém, nem mesmo a Justiça, com capacidade e com força para dar a cada um deles a punição devida. E não é por falta de provas nem de evidências. É por falta de VERGONHA NA CARA. A exemplo do Zé Trambiqueiro, que não devolveu o violão, no mundo político brasileiro ninguém devolve aquilo que rouba do erário público e dos brasileiros, contribuintes ou não.

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