ANO NÃO ELEITORAL

       Neste nosso país, o pouco que se governa costuma acontecer em anos alternados, isto é, governa-se alguma coisa em anos sem eleições, ou seja, em anos de ordem impar. Os anos eleitorais, ano sim, ano não, são dedicados apenas às eleições, e a nada mais. Tudo o que se faz em Brasília e também nos estados, visa à participação nas eleições em qualquer nível que seja, e, evidentemente, visa à vitória nessas eleições. Faz-se de tudo, dentro da lei e também fora dela, para que se vença uma eleição. Nomeações, promoções, inaugurações bem “chamativas” de obras, presentezinhos com um ministério daqui e outro dali fazem parte da arte de não-governar. No Estado de São Paulo, Mário Covas foi o campeão mundial em inaugurações festivas, notadamente naquelas voltadas para fins eleitorais, todas elas bastante chamativas, bombásticas. Já escrevi sobre o caso Mário Covas, aqui em São Paulo. E juro que não inventei nada. Contudo, este primeiro trimestre de 2015, um ano no qual não teremos eleições, é atípico. Dever-se-ia estar governando, mas o silêncio que “ouvimos” em Brasília sinaliza para mais um ano pouco ou nada produtivo em termos de governo, em termos de trabalho. Essa última exoneração de um ministro não deu sequer para se “esquentarem as turbinas”, se é que a queda de um ministro, pra quem tem 39, possa ser um sinal de que a senhora presidente esteja acordada e de que esteja “governando”. Enfim, nesta nossa terra tupiniquim, aqueles que pensam e dizem que governam continuam levando a vida na flauta.

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